Dear hero

Don’t try to save me.
Let there be darkness and sorrow,
Let there be death and pain,
I can only be beautiful that way.

I see grace in this tears
And power in this blood stains.
Hurt is my best friend,
The only one who truly understands.

I no longer aim to live, I survive.
Because life taught me to pursue this scars.
And there’s not enough love in this world to fix my heart.

So, don’t try to save me.

Although your cape feels like lustful silk,
And your eyes are one mile away from Heaven,
I’ve climbed the mountains myself,
Barefooted and naked.

Don’t try to save me.

Let there be loneliness and silence.
Let there be insanity and misery.
Let there be fear, wander, loss…
Let it be. Let me be.

I only know beauty this way.

Era só uma música

Era só uma música, mas não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando me lembrava não parava de doer.
Não parava de doer o que poderia ser, o que poderia ter sido, o que agora nunca mais vou esquecer. Não parava de doer o que poderia ter feito, o que ficou por fazer e o que jamais vai acontecer.
Era só uma música, mas não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando me lembrava não parava de sentir.
Não parava de sentir o que eu nem sequer sabia, eu muitas vezes não entendia, o que de repente eu reparei um dia. Não parava de sentir que havia muito mais esperança que impossibilidades, que havia mais sorrisos que infelicidades… Que há mais Futuro que saudades.
Era só uma música que não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando lembrava não parava de doer, nem parava de sentir… Mas eu não parava de a ouvir.

Metade de mim

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade…

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo…

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão…

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei…

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço…

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção…

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade… também.

Oswaldo Montenegro

Daddy’s little girl apology

Daddy, I’m sorry!

All I ever wanted was to make you proud

But at the time it sounded like

The loudest voice was the crowds!

I left my virginity on the back seat of your car,

That night you went out.

And he told me that if I loved him

I’d go down.

So I did it.

I let him drive me insane

I did everything he wanted me to

Until he came, then pain came. Then shame came.

I did it and I wanted to tell you before

But I didn’t know how,

I’m sorry dad.

I’m still a child, I can’t be a mom!

I still have dreams of graduating and going to prom!

You know the girl with the big belly never wins prom queen.

And I can’t do this without him.

I thought he loved me. He said he loved me!

But what do I know about love?

I’m a just little girl and he just too old!

Your little girl, your baby girl.

Daddy! What am I supposed to do?

Adoption or abortion?

Neither of them sounds like a life option!

Daddy, I’m sorry.

I never pictured my future this way.

In my dreams we’d both be happy

Somewhere else far away,

But in reality life feels worse

Than my worst nightmares.

I didn’t mean to hurt your feelings.

But I couldn’t look you in the eyes any more.

I had to runaway and find something worth living for.

Although all the stupid things I’ve done,

Besides the wrong path I choose,

I’m still daddy’s little girl.

And I’m sorry.

People say I’m a whore,

They don’t know my story!

They don’t even want to know

Where I come from!

I do drugs not because I feel worthless,

But because I need something to kill

The pain of sleeping with someone else’s husband,

Brother, cousin… father!

Because I am someone’s daughter!

Maybe a prostitute, a failure, a drugs addict.

But at the end of the day I’m still your daughter.

Daddy, all I ever wanted was to see you proud!

To see that smile of yours you had when I was a child

And you would spin me all around!

So forgive me father,

For leaving town,

For giving up on the prom crown,

For failing in life somehow

Insónia

Era noite e tu eras insónia. Tu eras luz, música, fantasia… Tudo o resto adormecia, só eu ali permanecia, eu não sabia o que queria. Era noite e tu eras dia. Tu sabias para onde ias, quando todo o resto era incerto, quando tudo em mim era deserto. Era noite… Eu. E de repende, eu já não estava ali. Eu já era tu e tu eras eu. E nada mais importava senão o facto de eu ser tua e tu seres meu.
Era noite e tu eras insónia. Tu eras Sol, tu eras Lua. Tu eras tempo… Eu era chão, era certeza. Eu era maresia, era beleza. Eu e tu éramos Sorte. Tu eras absoluto, tu eras tudo. Tu eras vida… e também eras morte.
Hoje faz-se noite, e tu és silêncio, tu és vazio, tu és distante. É noite, tenho insónias.