Ponte minha

Ponte minha,

De ti quero apenas os abraços apertados dos reencontros.

Traz-me boas notícias sobre os teus ombros erguidos,

Nesses braços longos que a todos aperta.

 

Katembe de lá, daqui

Mais perto dos meus olhos.

Deixarei no mar as manhãs longas em fila para chegar,

Mapapai gelados da cacimba matinal,

Terei saudades, mas vou deixar.

 

Ponte minha,

De ti quero só os beijos da Baía

Nos fins de tarde alaranjados de Sol e Lua sobre nós.

De mãos dadas seguir e amar-te até ao meu fim.

 

Katembe hoje e amanhã,

Darei os passos necessários para te descobrir.

Maputo ontem e hoje,

Estarei mais perto para te ver sorrir.

Sou mulher e sou moçambicana

Sou mulher e sou moçambicana

No dia da Mulher Moçambicana é importante refletir sobre o que nos torna quem somos. 

É a 7 de Abril, em homenagem a Josina Machel que celebramos o Dia da Mulher Moçambicana. Esta é a data da sua morte, do seu derradeiro sacrifício, e daí tamanha homenagem.

Mas tenho estado a pensar muito sobre o que é ser uma mulher; uma mulher em África; uma mulher em Moçambique é uma Mulher Moçambicana. O que é que faz de mim o que sou? Que partes me ampliam? Que partes me limitam?

Não sei… Mas sei que sou mulher e sou Moçambicana.

  
Mulher que usa roupa curta não presta. É puta. Mulher com muitos amigos homens é oferecida. É puta. Mulher não pode vestir o que quiser, senão é mal interpretada. É puta. Mulher não pode sair para beber um copo e dançar. É puta. Mulher não pode fumar. É puta. Mulher não pode ter quantos parceiros bem entender. É puta. 

Sou puta. Sou mulher e sou Moçambicana.

Mulher que estuda muito não serve para casar. É rebelde. Mulher que expõe a sua opinião não tem respeito. É rebelde. Mulher que vive a sua vida consoante os seus objectivos pessoais quer ser homem. É rebelde. Mulher que se coloca em primeiro lugar na sua vida não está boa. É rebelde. Mulher que se recusa a ser submissa não vai ter um casamento duradouro. É rebelde.

Sou rebelde. Sou mulher e sou Moçambicana. 

Mulher que não segue nenhuma religião tem marido espiritual. É feiticeira. Mulher que fica viúva e não segue os rituais de luto tradicionais quer dar azar à família. É feiticeira. Mulher que tem problemas de fertilidade não pode ser esposa. É feiticeira. Mulher que vive sozinha de forma independente tem algo de errado. É feiticeira.

Sou feiticeira. Sou mulher e sou Moçambicana.

Mulher que dorme muito não sabe gerir uma casa. É preguiçosa. Mulher que não sabe cozinhar vai matar os filhos e o marido à fome. É preguiçosa. Mulher que não fica na cozinha com outras mulheres a cozinhar e falar das lides da casa/ família, não é mulher ainda. É preguiçosa. Mulher que não tem sempre o cabelo arrumado, a maquilhagem feita, não se depila, não se “cuida” é feia. É preguiçosa.

Sou preguiçosa. Sou mulher e sou Moçambicana.

  
Sou uma mulher Moçambicana a viver neste corpo, neste espaço, ocupando um certo lugar na sociedade e exercendo determinados direitos e deveres. 
Veremos este ano, como já é hábito, homenagens bonitas dirigidas a nós, mulheres moçambicanas.

Guerreiras para cá. Mães para lá.

Nossas heroínas. Batalhadoras.

Blá. Blá. Blá.

Mas estas homenagens nada são senão palavras sem nenhum sentido real e sincero que se possa aplicar no nosso dia-a-dia. Afinal de contas Passamos a vida a ouvir cobranças e exigências, a ter de provar a nossa autenticidade. 

Só é Moçambicana se se vestir assado e se falar cozido. Mulher de verdade não faz A, não aceita B. Se queres ser uma mulher de valor, tens de seguir este caminho e não aquele.

Não fica bem uma mulher que não usar capulana. Uma mulher que se preze deve saber usar o pilão e o ralador de côco. Mulher de verdade tem de ter filhos e têm de serbiológicos. Tens de provar que és mulher quando estás entre outras mulheres, especialmente se forem da família do teu parceiro/a. 

 

autoria: Malangatana
 
O 7 de Abril é de todas nós. Das putas. Das rebeldes. Das feiticeiras. Das preguiçosas. Daquelas que já se foram e das que ainda estão por vir.

Uma revolução se aproxima. 

Somos mulheres e somos moçambicanas. 

Mulheres com armas na mão

Mulheres com armas na mão

As Mulheres que foram à guerra e pegaram nas armas também merecem ser lembradas

Não podemos falar na emancipação da mulher sem falar na sua importância nas zonas de combate. No caso específico das lutas de libertação em África, vários países africanos se beneficiaram da sua presença em combate.

A presença das mulheres no mato, na guerrilha aconteceu de várias maneiras. Algumas aderiram porque foram com a família, com os parceiros; houve ainda as que aderiram aos movimentos de libertação por uma perspectiva de estudo e estratégia; houve as que foram obrigadas e houve também, como não podia deixar de ser, as que aderiram de foram voluntária por acreditarem na causa da auto-determinação das suas nações.

No entanto, grande parte dessas memórias foram apagadas e ficaram-se apenas as histórias dos heróis homens. E mesmo a história da presença das mulheres acabou sendo ofuscada pelo tom patriarcal que tomou, já que se vivia (ainda se vive) num contexto social de dominação masculina.

Infelizmente muito do que se conta hoje nos leva a crer que as mulheres foram aliciadas ou emparedadas pelos homens a fazerem parte da guerra, enquanto na verdade elas conquistaram esse espaço.

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A Mulher lutou pelo seu espaço na luta armanda. Fonte: Fundação Amílcar Cabral

O líder caboverdiano Amílcar Cabral admitiu, no Seminário de Quadros de 1969 que as mulheres foram se juntando aos homens, meio que de forma desorganizada, e que foram resistindo à pressão que havia para se afastarem. O PAIGC teve então de oficializar a sua presença na luta.

 

 

“(…) Portanto, o partido não pode fazer grande bazófia de que recrutou mulheres. Em geral, as mulheres é que vieram para a luta, o que dá muito mais valor à presença de mulheres no Partido.” – Amílcar Cabral

A mesma retórica encontramos em Moçambique em que se diz que foi o presidente Samora que “permitiu” que as mulheres pegassem nas armas, quando na verdade, elas enfrentaram todo o preconceito e barreiras criadas pelos colegas homens para estarem ali.

E para que os seus feitos não se apaguem da História, é importante que as lembremos delas, que falemos e enalteçamos a sua coragem e determinação. É também graças a elas que hoje usufruímos dos direitos que temos como cidadãos de plenos direitos.

Deolinda Rodrigues

20180324082455deolindaDe nome de guerra Langidila, Deolinda abandonou os estudos para se juntar à luta de libertação de Angola. Em 1961 começou a combater e em 1972 foi uma das co-fundadoras da Organização da Mulher Angola (OMA)

Como guerrilheira passou por Guiné Bissau, Congo Kinshasa e Congo Brazzaville. A 2 de Março de 1968 ao regressar de uma missão no mato foi capturada, juntamente com outras mulheres, por um grupo guerrilheiro angolano e executada em cativeiro. Celebra-se nessa data o Dia da Mulher Angolana.

Deixou os seus diários que relatam os desafios, vitórias e sacrifícios da sua vida como combatente da luta armada.

Emília Daússe

Emília Daússe foi uma guerrilheira moçambicana. Como jovem guerrilheira, foi das mais activas mulheres, tendo recrutado muitos combatentes na província de Tete.

Em pouco tempo alcançou posições de liderança. Após o seu treino político-militar na Tanzania em 1972, comandou um pelotão de cerca de 40 combatentes (homens e mulheres).

Morreu numa emboscada a 11 de Novembro de 1973.

Carmen Pereira

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Foi a primeira mulher presidente de um país africano quando em 1984 assumiu a presidência da Guiné Bissau por 3 dias.

Foi uma figura política importante, tendo lutado para a independência da Guiné Bissau através do PAIGC.

Foi uma líder de alto escalão político no país tendo passado por Presidente da Assembleia Nacional e Vice-Primeira -Ministra, entre outras posições.

 

 

 

Poesia no Feminino

Poesia no Feminino

SÓYA (Conceição Lima)

Há-de nascer de novo o micondó —
belo, imperfeito, no centro do quintal.
À meia-noite, quando as bruxas
povoarem okás milenários
e o kukuku piar pela última vez
na junção dos caminhos.

Sobre as cinzas, contra o vento
bailarão ao amanhecer
ervas e fetos e uma flor de sangue.

Rebentos de milho hão-de nutrir
as gengivas dos velhos
e não mais sonharão as crianças
com gatos pretos e águas turvas
porque a força do marapião
terá voltado para confrontar o mal.

Lianas abraçarão na curva do rio
a insónia dos mortos
quando a primeira mulher
lavar as tranças no leito ressuscitado.

Reabitaremos a casa, nossa intacta morada.

MOÇA DAS DOCAS (Noémia de Sousa)

Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço,
Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines,
viemos do outro lado da cidade
com nossos olhos espantados,
nossas almas trancadas,
nossos corpos submissos escancarados.
De mãos ávidas e vazias,
de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,
de corações amarrados de repulsa,
descemos atraídas pelas luzes da cidade,
acenando convites aliciantes
como sinais luminosos na noite,

Viemos…
Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba,
do sem sabor do caril de amendoim quotidiano,
do doer de espádua todo o dia vergadas
sobre sedas que outros exibirão,
dos vestidos desbotados de chita,
da certeza terrível do dia de amanhã
retrato fiel do que passou,
sem uma pincelada verde forte
falando de esperança,

Viemos…
E para além de tudo,
por sobre Índico de desespero e revoltas,
fatalismos e repulsas,
trouxemos esperança.
Esperança de que a xituculumucumba já não virá
em noites infindáveis de pesadelo,
sugar com seus lábios de velha
nossos estômagos esfarrapados de fome,
E viemos….
Oh sim, viemos!
Sob o chicote da esperança,
nossos corpos capulanas quentes
embrulharam com carinho marítimos nómadas de outros portos,
saciaram generosamente fomes e sedes violentas…
Nossos corpos pão e água para toda a gente.

Viemos…
Ai mas nossa esperança
venda sobre nossos olhos ignorantes,
partiu desfeita no olhar enfeitiçado de mar
dos homens loiros e tatuados de portos distantes,
partiu no desprezo e no asco salivado
das mulheres de aro de oiro no dedo,
partiu na crueldade fria e tilintante das moedas de cobre
substituindo as de prata,
partiu na indiferença sombria da caderneta…

E agora, sem desespero nem esperança,
seremos em breve fugitivas das ruas marinheiras da cidade…

E regressaremos,
Sombrias, corpos floridos de feridas incuráveis,
rangendo dentes apodrecidos de tabaco e álcool,
voltaremos aos telhados de zinco pingando cacimba,
ao sem sabor do caril de amendoim
e ao doer do corpo todo, mais cruel, mais insuportável…

Mas não é a piedade que pedimos, vida!
Não queremos piedade
daqueles que nos roubaram e nos mataram
valendo-se de nossas almas ignorantes e de nossos corpos macios!
Piedade não trará de volta nossas ilusões
de felicidade e segurança,
não nos dará os filhos e o luar que ambicionávamos.
Poedade não é para nós.

Agora, vida, só queremos que nos dês esperança
para aguardar o dia luminoso que se avizinha
quando mãos molhadas de ternura vierem
erguer nossos corpos doridos submersos no pântano,
quando nossas cabeças se puderem levantar novamente
com dignidade
e formos novamente mulheres!

VIERAM MUITOS (Ana Paula Tavares)

“A massambala cresce a olhos nus”

Vieram muitos
à procura de pasto
traziam olhos rasos da poeira e da sede
e o gado perdido.

Vieram muitos
à promessa de pasto
de capim gordo
das tranqüilas águas do lago.

Vieram de mãos vazias
mas olhos de sede
e sandálias gastas
da procura de pasto.

Ficaram pouco tempo
mas todo o pasto se gastou na sede
enquanto a massambala crescia
a olhos nus.

Partiram com olhos rasos de pasto
limpos de poeira
levaram o gado gordo e as raparigas.

E ASSIM PASSAMOS A TARDE (Cecília Meireles)

E assim passamos a tarde
conversando coisas banais,
da superfície do mundo.

E estamos cheios de mistérios
que não comunicamos.
E assim morreremos, decerto.
E não dais por isso.

SONHO (Beatriz Nascimento)

Seu nome era dor
Seu sorriso dilaceração
Seus braços e pernas, asas
Seu sexo seu escudo
Sua mente libertação
Nada satisfaz seu impulso
De mergulhar em prazer
Contra todas as correntes
Em uma só correnteza
Quem faz rolar quem tu és? Mulher!…
Solitária e sólida
Envolvente e desafiante
Quem te impede de gritar
Do fundo de sua garganta
Único brado que alcança
Que te delimita
Mulher!
Marca de mito embotável
Mistério que a tudo anuncia
E que se expõe dia-a-dia
Quando deverias estar resguardada Seu ritus de alegria
Seus véus entrecruzados de velharias Da inóspita tradição irradias
Mulher!
Há corte e cortes profundos
Em sua pele em seu pelo
Há sulcos em sua face
Que são caminhos do mundo
São mapas indecifráveis
Em cartografia antiga
Precisas de um pirata
De boa pirataria
Que te arranques da selvageria
E te coloque, mais uma vez,
Diante do mundo
Mulher.

Mulheres de Março

O dia 8 de Março pode já ter passado, mas isso não quer dizer que as celebrações acabaram.

Seguindo a necessidade de não só celebrar, mas também chorar pelas coisas ainda por conquistas, hoje gostaria de trazer algumas mulheres cujos nomes e histórias infelizmente não são muito conhecidos.

Na esperança que os seus percursos, inspirem novas gerações e aproveitando que os seus aniversários são em Março, seguem abaixo algumas linhas sobre elas.

Aida dos Santos (1 de Março)

Foi a primeira mulher brasileira numa final olímpica. Competiu nos Jogos de Tóquio de 1964, em que terminou em 4o lugar o salto em altura, mesmo sem uniforme, sem técnico, sem médico e sem sapatilhas de prego.

De regresso ao Brasil, por ter denunciado a falta de condições em que competiu, foi afastada da alta competição.  No entanto, conseguiu formar-se e educar os seus filhos.

Miriam Makeba (4 de Março)

miriam-makeba-photo-william-couponConhecida por ‘Mama Afrika’, Miriam Makeba foi uma cantora e activista sul africana. Em 1960, depois de participar do documentário ‘Come Back, Africa’ que denunciava o regime do apartheid, foi obrigada a viver no exílio.

Viveu nos EUA, mas também viu-se obrigada a partir, devido ao seu envolvimento com o movimento dos Panteras Negras e as campanhas anti-racistas nos EUA.

Teve as suas obras banidas e a sua nacionalidade cassada e apenas em 1990, com o fim do apartheid é que regressa à sua terra natal.

Lupita Nyong’o (1 de Março)

Filha de emigrantes quenianos, Lupita nasceu no México e formou-se nos EUA.

No seu trabalho como atriz, destacou-se com a personagem Patsey no filme “Twelve Years a Slave” (Doze Anos Escravo) de Steve McQueen, baseado na história verídica de Solomon Northup, um homem afro-americano livre que foi vendido e escravizado. Pela sua performance ganhou o Óscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2013. Foi a primeira queniana a ganhar esse título.

O seu mais recente trabalho no cinema, Black Panther, já é um recorde de vendas.

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Ana Fidelia Quirot (23 de Março)

Ana Fidelia Quirot é uma atleta cubana, considerada uma das melhores atletas femininas quirot_ana_fideliados 800m de todos os tempos. Ela é uma de seis atletas que conseguiram correr 800 m em menos de 1:55. O seu recorde é de 1:54:44, conseguido em 1989.

Em 1993, Ana Fidelia sofreu queimaduras graves, como resultado de um acidente doméstico. E passou por um momento depressivo que a afastou do desporto por um tempo, contudo, conseguiu superar e competir em nos Jogos Olímpicos de 1996 em que levou a medalha de prata.

 

Não quero rosas

Não quero rosas

No Dia Internacional da Mulher não quero rosas, quero direitos.

O dia 8 de Março começou sobretudo pela necessidade que (algumas) mulheres sentiram de reivindicar direitos trabalhistas, no séc. XIX e XX.

Ao mesmo que isto acontecia, outras reivindicações foram se tornando mais urgentes: o direito à participação política (eleger e ser eleita);  o direito à liberdade (para as mulheres escravizadas); o direito à independência (para as colonizadas); enfim… Foram vários os processos históricos que definiram estas lutas, mas a verdade é que foram vencidas.

O 8 de Março, mais do que uma celebração, é uma oportunidade para reconhecer e agradecer os sacrifícios feitos em nosso nome, em nome das mulheres que somos hoje para que pudéssemos simplesmente ser e existir.

 

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O Dia Internacional da Mulher é sobre paridade de género. Fonte: IWD

 

De que vale sermos bombardeadas com imagens bonitas e palavras doces no dia 8 de Março se temos menos oportunidades de crescimento pessoal e profissional?

Como se não bastasse, na verdadeira moda capitalista, a data agora é sinónimo de lucro para as empresas de cosméticos, floristas e afins.

Onde quer que estejamos, somos expostas a uma variedade de campanhas direcionadas a mulheres, disfarçadas de empoderamento, mas que na verdade não passam de formas de opressão mais sofisticadas.

Para mais, muitas ofertas e promoções só alimentam as grandes indústrias que não só lucram com as nossas inseguranças e paranóias, como lucram também com a nossa mão de obra barata.

Seja no seio familiar, no ambiente de trabalho, nas instituições de ensino, onde quer que estejamos, nunca estamos a salvo. Há sempre lutas a serem travadas para sermos ouvidas e reconhecidas como seres autónomos e donos das nossas vidas.

Não querendo estragar a festa, já estragando, vamos nos deixar de romantismos por favor. O 8 de Março não é pra ‘esquecermos’ as nossas dores, mas sim para reconhecê-las e quem sabe até curá-las.

Então vamos lá:

Mulheres não são as guardiãs da moral e bons costumes da sociedade.
Nem todas as têm vaginas.
Mulheres em relacionamentos homoafectivos não querem ser homens.
Mulheres podem vestir (e despir) o que quiserem.
Ser mãe e ser mulher não são sinónimos.
Mulheres também fazem cocó e arrotam.

Mulheres aspiram ascensão profissional

Muitas mulheres sentem-se e vivem completas sem um parceiro afectivo.
As mulheres conseguem derivar prazer e plenitude sozinhas.
O orgão sexual masculino não é o sonho de todas as mulheres.
Nem todas as mulheres gostam de cozinhar.
Para ser mãe não precisa de ser esposa de ninguém e nem de ter filhos biológicos

Nem todas mulheres foram feitas para serem donas de casa.
Nem todas as mulheres sonham em casar. Nem todas as mulheres querem ser mães.
Mulheres que usam roupa curta, não são necessariamente prostitutas nem querem a atenção de homens, podem simplesmente gostar.

Nem todas as Mulheres querem ser chamadas de ‘gostosas’ na rua
Nem todas as Mulheres querem ser magras

Nem todas as Mulheres querem ficar a conversar na cozinha com as outras

Nem todas as mulheres gostam de saltos altos ou roupas sexy.
Mulheres podem definir quem pode ou não tocar nos seus corpos.
O ‘não’ da mulher é não, não é sinónimo de charme.
Mulheres não devem obediência a ninguém.
Mulheres podem ser o que quiserem.

Mulheres não devem simpatia a ninguém.
Mulheres podem beber o que e o quanto quiserem.
Mulheres também podem ser ‘chefes de família’

Mulheres não precisam de autorização do marido para tomar qualquer decisão profissional.

Mulheres também gostam de futebol.

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Mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades em comparação a homens. Fonte: Médicos Sem Fronteiras

Portanto, não quero rosas.

Não quero apenas ‘Parabéns’. Não quero celebrações. Não quero chocolates. Quero uma reflexão profunda sobre a situação real das mulheres de todo o mundo. Quero o fim de todo e qualquer tipo de discriminação baseada no género. Quero o fim do Patriarcado.

Quero andar na rua em segurança, a qualquer hora, com qualquer roupa. Quero o mesmo salário pelo mesmo trabalho.

Quero o fim das piadinhas machistas, das roupinhas cor-de-rosa, da imposição de um determinado padrão de beleza.

Eu quero apenas ser e existir.

 

Mal-Me-Quer

Mal-Me-Quer

Mal-Me-Quer

Bem-Me-Quer

Mal-Me-Quer

Bem-Me-Quer

Me encheu de rosas, em forma de empurrões e pancadas. Senti em cada toque, uma pétala seca a cair de mim. Toda a vida a fugir.

É assim que me quer: machucada, indefesa. Para guardar no seu vaso frágil e me dar a sua água para dela  eu viver.

É assim me quer. 

Para o meu bem me lança os seus espinhos e rega-me das suas dores. 

Por que me ofereces flores?

Tirei as folhas da flor

E esperei ouvir-te dizer

Mas de ti, apenas silêncio

Só o som vazio da dor.

Bem me quer.

Me quer  para servir os seus prazeres. Me quer para encher o seu meio copo, meio prato, meio vazio. O que eu quero?

Eu quero acreditar que é amor.

Que é preciso lutar, porque é guerra, é violência. Eu quero acreditar que tem de ser assim.

Que amor sem dor, não vale a pena. Eu quero. Eu quero. Bem quero. 

Mal-Te-Quero

Bem-Te-Quero

Sempre espero.

Me desespero.

Já não gosto mais de rosas. Agora quero as flores bem assentes na terra, com as pétalas abertas para beijar abelhas. 

Quero um amor de flores vivas e cores brilhantes. 

Agora me quero. Me desejo.  

Ontem quis.

Tudo fiz.

Sou feliz.