Ponte minha

Ponte minha,

De ti quero apenas os abraços apertados dos reencontros.

Traz-me boas notícias sobre os teus ombros erguidos,

Nesses braços longos que a todos aperta.

 

Katembe de lá, daqui

Mais perto dos meus olhos.

Deixarei no mar as manhãs longas em fila para chegar,

Mapapai gelados da cacimba matinal,

Terei saudades, mas vou deixar.

 

Ponte minha,

De ti quero só os beijos da Baía

Nos fins de tarde alaranjados de Sol e Lua sobre nós.

De mãos dadas seguir e amar-te até ao meu fim.

 

Katembe hoje e amanhã,

Darei os passos necessários para te descobrir.

Maputo ontem e hoje,

Estarei mais perto para te ver sorrir.

Eduardo Paixão, o vendedor de utopias

Eduardo Paixão, o vendedor de utopias

O olhar do escritor face as utopias vividas em Moçambique nos anos 70.

Publicado em 1972, o livro “Cacimbo”, de Eduardo Paixão descreve os últimos anos de ocupação colonial portuguesa em Lourenço Marques (Maputo) seguindo os amores e dissabores de uma família portuguesa em Moçambique.

Um importante livro na sua época, pois capta as emoções e contradições de uma geração no meio de um conflito intenso e de várias mudanças, em todo o mundo. Assim, o autor explora os conceitos de (des)colonização; socialismo/ comunismo; identidade; nacionalidade e raça.

Nota-se no seu tom que o livro é mais um manifesto do que romance, na medida em que propõe uma acção ao leitor, fazendo denúncias aos princípios ultrapassados que justificavam o Colonialismo e evidenciando a necessidade de se criar uma nova realidade para Moçambique.

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Usando-se dos personagens para representarem determinadas figuras/ valores da sociedade, o autor então vende-nos esta nova realidade, a tal utopia, re-imaginando-os.

Por exemplo, D. Emília de Sucena, representa os valores da família e a figura da mulher-mãe na sociedade colonial: zelosa; ocupada com reuniões sociais, jantares e institutos de beleza.

O seu filho, Artur, representa a revolução: a juventude activa; o inconformismo;  a fúria e desgosto de quem se vê com poucas armas para defender os seus ideais.

Também o narrador, omnisciente, serve de porta-voz para a razão. Ele é que legitima todo o fundamento ideológico ao longo da história, mostrando não só o que o personagem verbaliza, mas também o que pensa.

No entanto, ao se tornar testemunha, o próprio narrador mostra algumas contradições, pois se por um lado condena o Colonialismo e sonha com um mundo em que todas as raças possam viver harmoniosamente, por outro é incapaz de denunciar as atrocidades e a brutalidade do Colonialismo Português.

Ainda que de forma sofisticada, Eduardo Paixão, procura sempre a visão luso-tropicalista do bom colonizador português.

“O nosso tradicional multirracialismo possibilitava-nos um presente de paz e amor” (p.132)

Pela voz de Anabela acrescenta, mais tarde:

“Felizmente nós [os portugueses] não praticamos a segregação racial que leva ao ódio e à destruição.” (p. 244)

A única figura racista no livro é D. Emília, que se vê desconfortável pelo seu filho namorar com uma rapariga negra.

“Era o maior desgosto da minha vida ver o meu filho casado com uma rapariga de cor.” (p. 126)

É por isso interessante cruzar todos os discursos e imaginar a tal utopia que nos tenta vender Eduardo Paixão. Que mundo é esse em que brancos e pretos vivem harmoniosamente? Como construir esse mundo em que brancos e pretos são igualmente livres?

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Literatura colonial em Moçambique: o paradigma submerso – Fonte: USP

Eduardo Paixão, como criador também é, ele próprio, a História. Pois é através do seu olhar que desenhamos a sua época. Por isso temos de digerir essas tensões que tanto o incomodam. Será Portugal um “bom colonizador”? Como repudiar o Colonialismo Português sem ser anti-Portugal?

É esta constante comichão que sentimos ao ler “Cacimbo”: um cansativo e desesperado exercício para defender um ideal sem ferir a realidade que conhece e que o molda.

Inserir os personagens, a narrativa e o próprio autor no devido tempo e espaço, com todas as ideias, preconceitos, contradições e transformações é essencial para perceber a obra.

As utopias descritas em “Cacimbo” continuam actual na medida em que a visão colonial ainda não foi concretizada e precisa de nós, desta actual realidade para se decidir – O que é isto de ser livre, afinal?

Glamourização da Pobreza

Reynaldo Gianecchini esteve recentemente em Moçambique glamourizando a nossa Pobreza como manda a praxe.

São várias as celebridades que viajam para África com dois objectivos bem distintos: férias de luxo ou trabalho voluntário.

A primeira categoria acontece sobretudo fora das grandes cidades, em ilhas semi-desertas e privadas, de pouco acesso para nós, pobre locais – ainda que sejamos os nacionais.

E geralmente nestes casos não há muitas fotos, à excepção de uma ou duas fotos na redes sociais, pois afinal de contas a proposta de valor desses locais é a oportunidade de os famosos manterem alguma privacidade, longe dos paparazzi e dos olhares dos fãs.

Por outro lado, o trabalho voluntário que essas celebridades vêm fazer envolve muita notícia. Afinal de contas, o que seria caridade se ninguém aplaudisse o gesto do privilegiado que estica a sua mão para os desfavorecidos?

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Garçon!! 😃#FraternidadeSemFronteiras

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Gianecchini não desaponta. Com a mesma dedicação com que a genética desenhou a sua face, ele tira fotos com crianças e idosos, no meio da savana africana, num tal país chamado Moçambique.

E como não podia deixar de ser, emociona-se ao se aperceber da triste felicidade que essas pessoas vivem diariamente. Com tão pouco são tão felizes. Não passam a vida a reclamar. São verdadeiramente ricas. Aos meus olhos não vejo miséria. Têm vidas preenchidas com amor.

Certamente é esse amor e essa tal felicidade que lhes enche a barriga à noite. Que cura as doenças. Que rega as suas machambas e alimenta os animais.

Os moçambicanos partilharam todas as fotos cheios de orgulho pela presença de Sua Majestade, Reynaldo Gianecchini lá no meio do nada, a forçar sorrisos com as pobres crianças.

Esqueceram-se até que por fotos idênticas quase boicotaram um show do Nelson Freitas.

Em 2016, quando Nelson Freitas esteve em Maputo para um espectáculo de lançamento do seu novo álbum, à saída do aeroporto tirou fotos das ruas. Ao publicar a realidade nua e crua foi criticado, chegando até a apagar a foto.

Os seguidores se mostraram desconfortáveis em ver a sua Pobreza exposta.

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Os seguidores moçambicanos do artista cabo-verdeano não gostaram da foto por ele publicada. Fonte: Sapo MZ

Segundo eles Maputo é mais do que aquilo. Moçambique é melhor que aquela foto. Moçambique é lindo, é rico, é limpo. E de facto, somos isso tudo.

Mas somos também essa Pobreza, essa imundice, essa crueldade. Somos – e temos de assumir isso – feitos de contrastes.

Ao negarmos uma Pobreza e aceitarmos a outra evidenciamos a nossa hipocrisia. A nossa preocupação é selectiva. Pouco nos importa quem vê a nossa Pobreza, mas queremos que a Pobreza venha bonita.

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Presidente da República Filipe Nyusi e ex ministro da Educação Jorge Ferrão numa escola primária sem carteiras.

A glamourização da Pobreza valida-a. Naturaliza-a.

Ajuda-nos a olhar para a pobreza como algo normal, como algo que não deve ser corrigido.

Visitamos uma escola onde as crianças estudam sem carteira e aplaudimos as suas notas. Sentamo-nos no chão ao seu lado e sorrimos como se fosse confortável estar naquele lugar e de facto aprender. Rimos e brincamos com elas como se aquilo fosse de facto uma escola.

Olhamos para as mulheres atarefadas, a carregar os filhos, as compras e metade do mundo e dizemos “Parabéns! És tão forte!”, em vez de oferecermos soluções concretas para acabar com o seu sofrimento. Soluções para ela não precisar de ser forte. Para ela se sentir confortável em mostrar vulnerabilidade.

Aplaudimos a Pobreza que nos é exibida de forma glamourizada. Gostamos de ver as pessoas pobres a brincar, sofrendo de forma feliz, de forma a que não perturbe a nossa vida pseudo-burguesa.

Queremos ver uma Pobreza com maquilhagem, cirurgia plástica, filtro do instagram, sorriso falso. Uma Pobreza disfarçada.

Pobreza não é glamour. Não é prémio. Não é benção.

É Pobreza.

 

 

E agora Senhor Ministro?

Um recente espectáculo gratuito de violência nas escolas foi distribuído, via redes sociais para todo o Moçambique. Qual é a resposta do Ministério da Educação? 

Não é surpresa a inexistência de segurança no Ensino Público, mas um caso de esfaqueamento filmado e reenviado vezes sem conta desperta qualquer sociedade. Ou pelo menos devia.

O vídeo, que mostrava dois rapazes numa Escola Secundária a lutarem, ambos a sangrar, ganhou atenção especial por um deles ter sido esfaqueado sem que nenhum professor, guarda ou qualquer outro funcionário do recinto percebesse o que estava a acontecer no momento do incidente.

As deficiências; carências e lacunas do nosso Ensino Público já são por todos nós conhecidas: falta de infraestruturas que promovam o bem-estar do estudante; condições estéreis para o nascimento de ideias e mentes brilhantes; sobrelotação das salas de aula; falta de manuais escolares; escassez de professores; desistência por parte dos alunos; reprovações em massa; etc etc etc.

O cenário é tenebroso. Catastrófico.

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Crianças a estudar ao relento numa manhã de nevoeiro em Maputo. Fonte: Facebook

O Ministério da Educação parece não saber bem por onde pegar. Está mesmo complicado!

No início do ano lectivo, numa tentativa de resgatar a honra e valores de outrora, S. Excia. Senhor Ministro decidiu implementar a obrigatoriedade do uso das maxi-saias.

A medida tem como intuito melhorar o ambiente de ensino e repor a decência nas salas de aula. Ou, por outras palavras, vem devolver ao professor a sua inocência e impedir as meninas de serem violadas – sim, porque a culpa é delas.

Agora enfrentamos outra crise – dentro de todas as outras crises (as mencionadas e as ocultadas): violência nas escolas.

Quando meninas começaram a aparecer grávidas nas escolas encaramos isso como um problema nacional. Aquilo foi um vuku-vuku jamais visto! Primeiro começou-se por tirá-las do curso diurno. Depois veio essa das saias até aos calcanhares.

As pessoas saíram à rua. Gritaram. Manifestaram-se (ou quase isso). Escreveram contra e a favor. Por causa das saias até houve quem fosse deportado de Moçambique.

O Senhor Ministro até já estava cansado de proteger os pedófilos que andam aí disfarçados com batas brancas como se estivessem a ensinar – até porque há um problema de quadros, não podemos mandá-los embora.

Enfim o Senhor Ministro lá geriu a situação e agora vem esta!

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A obrigatoriedade das maxi-saias gerou polémica. Fonte: Comunidade Moçambicana

Dois rapazes foram filmados por outros colegas numa luta violenta da qual um saiu esfaqueado e apenas um dos envolvidos foi expulso e preso (supostamente). O outro certamente também irá tirar contas com a Justiça em tempo útil.

Aguardo ansiosamente a próxima medida do Senhor Ministro.

Já não se fala de um problema de dimensão nacional, embora vários alunos tenham assistido (e até divulgado) o vídeo com conteúdo extremamente violento.

Embora a escola tenha várias pessoas dotadas de poder e competências para impedir que tais episódios aconteçam.

Embora não só naquela escola, mas em todas haja episódios semelhantes diariamente.

Embora a violência seja um problema de todos nós, encaramos o ocorrido como uma manifestação isolada de um possível problema mental, familiar ou social dos envolvidos, falhando na nossa análise.

Esquecemos que a violência e a criminalidade sempre fizeram parte do nosso Ensino Público: as reguadas do professor da Primária; os roubos de canetas, livros, telemóveis e até mesmo mochilas; os abusos de bebidas alcóolicas e estupefacientes; as violações sexuais; os pagamentos para passar de classe;  etc.

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 A discussão sobre a violência nas escolas ainda é uma gota no oceano perto da dimensão do problema.

 

O Senhor Ministro tem uma batata bem quente nas mãos!

Pouco se falou ou discutiu a reabilitação destes meninos. Pouco ou nada se decidiu no que toca a medidas para garantir mais segurança aos alunos nas escolas. Ninguém se pronunciou sobre o controle de instrumentos cortantes nos recintos escolares.

E porquê? Porque vemos a violência masculina como um problema individual. É um assunto de interesse privado, que diz respeito apenas aos envolvidos e às suas famílias. Enquanto olhamos a sexualidade feminina como algo de todos. É um assunto de interesse público no qual ~devemos~ opinar.

Resultado: Obrigamos as meninas a usarem saias compridas para acabar com a gravidez na adolescência, mas expulsamos um rapaz da escola para acabar com a violência nas escolas.

O Senhor Ministro está mesmo mal!

É a cultura da violência; a cultura do estupro; a cultura do deixa-andar… A cultura de tudo menos do estudo e da dedicação. Menos da leitura e da investigação. Menos da segurança; da qualidade e do rigor.

E agora Senhor Ministro?

 

The female condom and feminism: love or contradiction? (Part II)

My first experience with the female condom was couple of months ago. I was approached by a sales promoter of the Cupid on my way home and she convinced me to buy it: I bought two, one for me and another for a very close friend of mine.

For weeks I would stare at the package, squeeze it and read the instructions. The curiosity was either going to kill me or make me stronger, so I decided to try it.

My male partner had never used a female condom before either, so we made the executive decision to start off with the male condom and then swapping to the female condom. I didn’t feel at ease inserting it by myself, so I asked him to do it. I figured that if a woman can insert a male condom on her partner, why can’t the opposite happen?

Even though I had read the instructions many times before, we had to actually stop for a few minutes and read them again. The thing has 10 steps, 8 of which being directly connected to its insertion and use! It was only then that I realized that the sponge stays inside the entire time. We managed to get it right eventually but then there was another problem: something was hurting the penis- I’m guessing it was the sponge- and it was too uncomfortable so we went back to the male condom after a couple of minutes.

I was disappointed at it: too much discomfort and not that much fun, after all. The friend I bought the other condom for has yet to try hers and I’m guessing she never will.

Other friends gave it a try and the stories are not that different from mine.

On a conversation, one friend rhetorically asked why the sponge on the Cupid had to be so big. She says it was painful to put it in, in fact, she too asked her boyfriend to help her, but the worst part was taking it out because the sponge goes out opened.

For men who enjoy giving and women who enjoy receiving oral sex, it can be challenging since a significant part of the vulva remains covered and female condoms usually are not flavored. Although based on my personal experience, this is not a deal breaker, in fact, some guys will be happy to use this as an excuse not to perform oral sex – but this is another post, for another day.

What could be a deal breaker though, is the fact that, according to our male partners, the female condom acts as an obstruction to feel the woman’s lubrication. Whereas the male condom hugs the penis not affecting its sensitivity, the female one stands loose, making it difficult to assess the woman’s sexual arousal.

A third friend, that tried after that conversation, based on the things she had heard decided to surprise her boyfriend, inserting it before they were together. She said “It’s not a matter of having a device that CAN be inserted hours before use; it SHOULD be inserted hours before, actually because it will take you quite a while to get it right.” She adds that she had to use a significant amount of lube. For her boyfriend it didn’t appeal him visually, they don’t plan on repeating the experience.

Sexual intercourse is about mutual pleasure, but the design of the FC seems to inhibit pleasure for the women due to the stress of having to hold it, as a recent study in South Africa points out. Said study highlights that using a condom for the prevention of pregnancy or infections or HIV/AIDS should not mean that the women are not free to enjoy their sexuality.

The experience of sex when wearing a female condom should be as important as the sense of self-empowerment. Regardless of condom performance or efficiency, sex is supposed to be fun and easy, not full of preparation and mechanical maneuvers.

As a feminist myself, I do believe in giving women the correct tools to engage in honest and opened conversations with their partners about their sexuality. For us, women that don’t have problems discussing the topic of sex with our partners; our schoolmates; friends; doctors and more and more with our sisters and/or mothers, the experience of the female condom was a materialization of our sexual freedom: we wanted to try something different; we had the option to do so and we didn’t feel bad about it.  Our male partners were a big part of the decision to use the female condom and even helped, just like this other lady so we should engage men more.

Personally I think healthy sex lives, and ultimately healthy relationships, have to be based on effective communication and fair negotiation and this too has to be part of the feminist agenda along with the female condom. If the female condom acts as a counter attack for women whose partners refuse to use the male condom, than we’re only legitimizing toxic and hostile environments.

There can’t be a Feminism without choice, and in that sense an option for the male condom is a better option than no option at all, and of course, people should try it for themselves and make their judgments. However we should do better than the current available female condoms there is and the female condom has to be a part of a larger strategy to empower women to engage in healthier relationships.

Maybe a male condom is a much better feminist condom than the female one: it causes no discomfort; it’s marketed at both men and women, encouraging couples to share the responsibility; and most of all, it comes in enough shapes, sizes, textures and materials to accommodate everyone’s needs.

Read the Part I here.

The female condom and feminism: love or contradiction? (Part I)

In a country like Mozambique, where HIV prevalence in women is 13,1% versus 9,2% for men, a female condom would indubitably increase the negotiation power for women and offer a different option for safe sex that didn’t depend on the men.

As BBC stated recently, the biggest advantages are the fact that it can be inserted hours before sexual intercourse and that it gives the vulva more protection than a male condom and unlike the first generation of female condoms, the ones currently available don’t make a lot of noise nor have a flawed design.

In Maputo there are female condoms available and although not as much as male condoms, most women have heard about it and even tried it.

A local sales promoter tells me that her male clients are willing to try something new and take a few days off from the male condom. For them, it is an escape. Women, on the other hand, find it intriguing and usually buy it because of the packaging or prizes associated with promotional campaigns.

When talking about female condoms there is a focus on the liberation of women and their empowerment, almost ignoring the very basic nature of a condom: sex. A condom is supposed to be functional for both parties and if anything, add something to their users and not take it away.

The female condom however, is a one-size-fits-all tool. There hasn’t been a lot of investment in terms of different sizes, flavors, textures, materials or even colors.

The main concern seems to be the fact that foreplay won’t be interrupted and male sexual arousal will not be affected by the insertion of a condom. By doing this, men are only offered the fun parts of it, leaving women with all the worries.

On the BBC article, it reads “The female condom is not as tight for men” and the Origami website says “[it can] accommodate a range of penis sizes”. These statements focus sexual pleasure for women, and on a broader level the health of women’s sex lives, on the satisfaction of the men.

Implicitly, if women want safe sex then they should take all the responsibility. Is that what feminism is really about?

There’s the insinuation that female condoms are just for women and male condoms are just for men, when in reality both parts can and should participate on the decision of using a condom and which one to use.

More so, the rhetoric is always about developing countries. Whether it is India or Nigeria, female condoms seem to be good for third world women only. Western women are never the target for female condom use campaigns.

This exposes the reality of the aid industry and the power dynamics that play when it comes to strategic thinking and program designing for HIV prevention in poor/ rural areas. The decision makers, mostly western white middle-class women are unaware of the class differences, racial discrimination and even the fight for democratic governments that play a part in the lives of the women they so want to help, and often impose a feminism centered exclusively on gender inequality.

As bell hooks beautifully said “feminism is for everybody”, but everybody needs to be aware of the environment and people to which they want to direct feminist agenda to and the issues said feminism will tackle.

The relationship between our politics and our sexualities is not always peaceful. Emotionally and intellectually the female condom may appeal to most women – I love the idea of the female condom, but the practicality of it is another story.