Janeiro veio como uma manga madura num ramo ao alcance da mão: Doce, esperançosa, pronta!

Agarrei-a com toda a fome em mim, e devorei Janeiro como uma manga suculenta, deixando escorreu todo seu sumo pelas minhas mãos, chegando ao cotovelo.

E com essas mãos sujas e peganhentas do doce sumo agarrei Fevereiro. Ou Fevereiro agarrou-se a mim.

Fevereiro abraçou-me, consolou-me. Os seus braços curtos me apertaram tão forte que chorei saudades de outras vidas.

Quando limpei as lágrimas, Março já estava aqui.

Em Março um novo reino se ergueu. Uma Rainha desfilou as suas garras no meu chão e fez-me ouvir o seu miar.

Índico e Atlântico se beijaram e nesse amor turbulento me perdi e descobri. Adormeci com Adamastor a soprar-me ao ouvido uma música linda e a sua voz gentil, em mim ficou e comigo voltou.

Em Abril tendo essa música no fundo, fui ao encontro de um novo ciclo.  Grandes renovações começam sempre em Abril. Abril é despedida e boas-vindas. Melancolia e alegria.

Abril nunca se apressa nem atrasa. Abril sempre chega quando eu preciso. Sempre tu, Abril.

O perfume de Abril permaneceu no ar e Maio também foi amor.

Maio foi um banho no mar. Um passeio com os pés na areia. O cheiro de praia a invadir toda a minha vida.

Nessa água salgada também chorei.

Um. Dois. Três.

Junho. Julho. Agosto. Chegaram e foram, como nunca tivessem cá estado.

Enfrentei-os e perdi. As minhãs mãos bateram à porta com tanta força que sangrei todos os meus sonhos.

Setembro foi passageiro como uma chuva de Verão. Veio com força, curou e destruiu, parou.

Dele ficou apenas cheiro a terra molhada e a marca dos meus passos sujos seguindo em frente.

Nessa terra molhada, germinaram algumas coisas.

Em Outubro cortei as pontas, o cabelo cresceu. Na raíz, novos cachos se formavam. Uns mais enrolados que outros, todos eles a apontar para o Céu juntos criaram uma auréola.

Em Novembro chorei. De tristeza. De solidão. De cansaço.

Perdi o fôlego ao tentar correr mas o tempo tem um ritmo próprio e os meus pés estavam cansados de pisar desilusões.

Então parei e observei. Deixei o tempo guiar-me para a sua direcção.

Quando dei por mim já era Dezembro e calor de Capricórnio entrava por todas as janelas.

As cortinas abriam-se, como se estivessem a fazer a vénia às lições de dois mil e dezassete. O Sol espreitava até por debaixo da porta, para ver mais uma vez aquele mestre.

Até sempre!

 

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