Notas sobre Big Brother, Sexualidade Feminina e Afins

Por que a sociedade se choca com uma mulher a explorar livremente o seu corpo e não se choca quando esse corpo é invadido sem a sua permissão?

 

Tem havido muito alarido em torno de fotos de algo que aconteceu no Big Brother Xtremo Angola/ Moçambique. Em fóruns tanto de Angola como de Moçambique as pessoas mostraram-se indignadas, chateadas e até envergonhadas por verem algumas colegas da casa com os seios à mostra; fazendo danças sensuais ou trocando carícias com outros na casa.

 
O facto é que o programa posiciona-se como M18 e está a ser transmitido via DStv, em que os usuários podem bloquear o conteúdo de um determinado canal caso achem inapropriado. Adicionalmente, todos os participantes são adultos e estão conscientes que todos os seus passos são gravados 24h diariamente em todos os cantos da casa.


Ainda assim, houve um desfile de discursos moralistas e de defesa dos valores “culturais” das nossas sociedades. As moças foram apedrejadas virtualmente, praticamente queimadas na fogueira como as “bruxas” da Idade Média perseguidas pela Inquisição.

Mas a mim não enganam: esse discurso cheira a machismo! 


Por que é que essa mesma sociedade não se choca quando surgem fotos de menores nuas ou seminuas a circular? Por que é que não nos chocamos quando alguém divulga um vídeo intimo filmado às escondidas? Por que é que até reencaminhados essas imagens?

A sexualidade feminina só choca quando é livre.

 

Quando o parceiro zanga-se e publica fotos íntimas da mulher, isso não nos choca. Quando numa novela a mulher é coagida a ter relações; quando é forçada a beijar alguém; quando usa o sexo para “prender” o homem, aí está tudo bem.


O choque não está em ver os seios das mulheres; nem em saber que elas são sexualmente activas, mas sim em ver uma mulher em plena TV a assumir a sua sexualidade e demonstrando prazer de forma autónoma.

 

Aquelas mulheres não se deixaram intimidar pelos olhos da sociedade machista que lhes assistem. Elas rejeitaram a posição de mulheres submissas, não se curvando aos padrões patriarcais em que vivemos e puseram o seu prazer em primeiro lugar.


O choque está em verem uma mulher a consentir e a assumir-se como um ser sexual em toda a plenitude sem pudor algum.