Carta a Elianúpiter

Ao aterrar aqui, sobre esta forma humana, sabia muito pouco acerca desta raça: a Humanidade e desde sempre tive de aprender a fazer as coisas de forma mais independente possível, isto é, quando aprendi a andar tinha de andar o meu máximo, e quando tinha capacidades para falar era estimulada a dizer o nome das coisas, e por aí vai, outras coisas como pegar numa colher para comer ou chorar quando sentia dor, essas coisas apareceram em mim como que por milagre, naturalmente.

E falando em Natureza, é realmente incrível a sua inteligência e senso de oportunidade, e não digo isto baseando-me apenas nos humanos, mas nos seres vivos todos em geral e nos seres inanimados também! Tudo tem um horário, um ciclo, uma programação, mas ao mesmo tempo é tudo novidade, há sempre algo inesperado, é um recomeço de um começo diferente! E até as formas e as texturas de tudo têm um propósito, está tudo minuciosamente calculado… É lindo!

Os humanos são muito inteligentes e a sua preguiça e necessidade obrigam-lhes a progredir e crescer… Eles sabem criar coisas; tal como eles acreditam que os deuses lhes criaram; apenas pegar numa matéria e dar-lhe forma. É realmente incrível! Inventam desde máquinas simples com fins muito claros e objectivos a verdadeiros monstros capazes de se aproximar ao máximo da perfeição.

Adoro viver na Terra, mas por vezes sinto vontade de aí estar… Os humanos confundem-me! São tão inteligentes e ainda assim tão incapazes de tudo e de nada. São paradoxais nas suas emoções e desejos, e estão sempre, sempre, constantemente a questionar, duvidar, problematizar (fruto da inteligência que lhes foi concebida, aliás, inteligência esta que traz mais dúvidas que certezas… mas talvez seja esse o seu objectivo e não o contrário!).

Para tudo o que eles querem o precisam, são-lhes oferecidas as ferramentas necessárias, e a criação parte deles. Queriam arte, deram-lhes cores! Queriam música, deram-lhes sons! Queriam liberdade, deram-lhes os sonhos. E quando tiveram os sonhos inventaram o amor… Ainda não sei bem o que é isso!

E sinceramente, acho que amor continua tanto um mistério para mim como para eles. Tudo o que sei é que o amor é bonito, grande, e dá esperança, asas, vida e depois, umas vezes mais, outras vezes menos repentinamente, acaba! E com o fim do amor vão-se os sonhos, a esperança, a alegria e muitas vezes até mesmo a identidade!! É uma pena acabar de forma tão trágica… Mas é assim o amor, tal como quase tudo nos humanos (excluindo a racionalidade): irracional! Talvez, o amor, bem, acho que não sei mesmo!

Melhor que o amor mesmo é a amizade, e quando se tem uma amizade com alguém, esse alguém chama-se Amigo; é basicamente alguém como nós, que sabe muito sobre nós, gosta muito de nós, mas é diferente de nós! Os meus amigos às vezes parecem elianúpteros, outras vezes são mais humanos; mas é muito bom ter amigos! (Ao menos parece melhor que ter amantes.)

O maior problema em ter amantes ou amigos é a saudade… É um sentimento contente por existir, mas ao mesmo tempo triste por ter de existir. Percebem? Saudade é quando sentimos falta de alguém ou alguma coisa que nos faz ou fez muito bem; ou seja, quando há um momento muito muito bom e esse momento acaba e depois nós nos lembramos e gostaríamos de poder ficar ali naquele momento para sempre, mas não podemos e isso é triste.

Mas o sentimento mais humano há-de ser, sem dúvida, a meu ver: a felicidade. Porquê? Porque todos os sentimentos acabam neste; a felicidade é o clímax de um outro sentimento; sem a felicidade não há finalidade para a vida, e a existência humana resume-se exactamente a isso: existência.

Dou por mim a sentir esses sentimentos que eles sentem e a dizer as coisas parvas que eles dizem… Preciso de voltar, muito em breve, a Elianúpiter para me abster de todas as coisas mundanas que me rodeiam e por vezes me consomem. Embora adore viver aqui e rodear-me destas coisas tão alheias e estranhas à minha natureza, não cobiço o destino da Humanidade. Tenho muito medo de ficar como eles…Image

Era só uma música

Era só uma música, mas não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando me lembrava não parava de doer.
Não parava de doer o que poderia ser, o que poderia ter sido, o que agora nunca mais vou esquecer. Não parava de doer o que poderia ter feito, o que ficou por fazer e o que jamais vai acontecer.
Era só uma música, mas não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando me lembrava não parava de sentir.
Não parava de sentir o que eu nem sequer sabia, eu muitas vezes não entendia, o que de repente eu reparei um dia. Não parava de sentir que havia muito mais esperança que impossibilidades, que havia mais sorrisos que infelicidades… Que há mais Futuro que saudades.
Era só uma música que não parava de tocar, e quando tocava não parava de lembrar, e quando lembrava não parava de doer, nem parava de sentir… Mas eu não parava de a ouvir.

Daddy’s little girl apology

Daddy, I’m sorry!

All I ever wanted was to make you proud

But at the time it sounded like

The loudest voice was the crowds!

I left my virginity on the back seat of your car,

That night you went out.

And he told me that if I loved him

I’d go down.

So I did it.

I let him drive me insane

I did everything he wanted me to

Until he came, then pain came. Then shame came.

I did it and I wanted to tell you before

But I didn’t know how,

I’m sorry dad.

I’m still a child, I can’t be a mom!

I still have dreams of graduating and going to prom!

You know the girl with the big belly never wins prom queen.

And I can’t do this without him.

I thought he loved me. He said he loved me!

But what do I know about love?

I’m a just little girl and he just too old!

Your little girl, your baby girl.

Daddy! What am I supposed to do?

Adoption or abortion?

Neither of them sounds like a life option!

Daddy, I’m sorry.

I never pictured my future this way.

In my dreams we’d both be happy

Somewhere else far away,

But in reality life feels worse

Than my worst nightmares.

I didn’t mean to hurt your feelings.

But I couldn’t look you in the eyes any more.

I had to runaway and find something worth living for.

Although all the stupid things I’ve done,

Besides the wrong path I choose,

I’m still daddy’s little girl.

And I’m sorry.

People say I’m a whore,

They don’t know my story!

They don’t even want to know

Where I come from!

I do drugs not because I feel worthless,

But because I need something to kill

The pain of sleeping with someone else’s husband,

Brother, cousin… father!

Because I am someone’s daughter!

Maybe a prostitute, a failure, a drugs addict.

But at the end of the day I’m still your daughter.

Daddy, all I ever wanted was to see you proud!

To see that smile of yours you had when I was a child

And you would spin me all around!

So forgive me father,

For leaving town,

For giving up on the prom crown,

For failing in life somehow

Insónia

Era noite e tu eras insónia. Tu eras luz, música, fantasia… Tudo o resto adormecia, só eu ali permanecia, eu não sabia o que queria. Era noite e tu eras dia. Tu sabias para onde ias, quando todo o resto era incerto, quando tudo em mim era deserto. Era noite… Eu. E de repende, eu já não estava ali. Eu já era tu e tu eras eu. E nada mais importava senão o facto de eu ser tua e tu seres meu.
Era noite e tu eras insónia. Tu eras Sol, tu eras Lua. Tu eras tempo… Eu era chão, era certeza. Eu era maresia, era beleza. Eu e tu éramos Sorte. Tu eras absoluto, tu eras tudo. Tu eras vida… e também eras morte.
Hoje faz-se noite, e tu és silêncio, tu és vazio, tu és distante. É noite, tenho insónias.